sexta-feira, 7 de março de 2014

Capítulo 67


- Isso...É verdade, pai ? – Eu disse baixo e ele apenas assentiu com a cabeça.
- Me desculpe, minha filha. Eu posso te contar a história direito?
- Que história, pai ? Não tem nada de direito nisso. – Comecei a chorar.
- Por favor, deixa eu só contar e depois você faz o que quiser. – Fui com minha mãe para um sofá e ele se sentou em outro. Estava disposta a ouvi-lo.
- Fala então... – Eu disse com desprezo.
Eu nunca me imaginei com desprezo justo do meu pai.
- Eu conhecia a Márcia, a outra mulher, logo depois de ter começado a namorar sua mãe. Ela me atraiu muito e eu queria só ficar com ela, mas namorar mesmo com sua mãe, porque ela era que eu amava de verdade. Mas não foi bem isso que aconteceu, ela foi me envolvendo e eu não tive coragem de largá-la. Ela sabia que eu namorava no começo, mas disse que só continuaria comigo se eu largasse sua mãe e...Eu menti pra ela, disse que já estava sozinho. Eu não sei o que ela tinha, só sei que ela me envolvia demais e não consegui mais largá-la.
Até que um dia ela disse que estava grávida...
- Grávida?
- É...Ela disse e isso foi mais um motivo para não largá-la.
Na gravidez dela, eu fiquei mais com ela, mentia e dizia que estava viajando a trabalho. Eu quase não ficava na nossa casa. Mas eis um dia que sua mãe também me disse que estava grávida, Leonardo, estava completando quase três anos e fui um susto pra mim...
- Leonardo?
- Seu...Irmão. – Mais uma vez, eu respirei fundo. Eu tinha um irmão.
- Eu passei a ficar mais tempo com sua mãe e passei a enganar Márcia sobre minha viagens, até que você nasceu. Linda e uma menina, como era meu sonho. A maioria dos pais sonham com um menino, mas eu sonhava com minha princesinha e realmente veio o que eu esperava.
Uma princesinha linda, loirinha e dos olhos clarinhos, bem diferente do seu irmão, que tem os olhos claros também, mas os cabelos são pretos. Vocês só se parecem nos olhos mesmo, ele puxou quase tudo da mãe. – Ele respirou e voltou a falar. – Eu passava bem mais tempo com sua mãe e ela nem desconfiava. Até que de uns tempos pra cá, ela veio me cobrando isso, me dizendo que eu nunca fiquei com ela e o nosso filho direito e eu sempre fugia do assunto. Isso é de uns três anos pra cá, a gente só briga. Até que semana passada, eu estava lá e ela pegou meu celular enquanto eu dormia, viu tudo. Suas fotos, mensagens sua e da sua mãe...Dava pra eu enrola ela até, mas já estou cansado disso tudo, resolvi abrir o jogo e falei tudo pra sua mãe também, assim que voltei.
- Mas que eu saiba o senhor estava viajando a uns quinze dias, a...Outra só teve essa idéia ontem?
- Não. Ela descobriu assim que cheguei lá.
 - E porque só voltou ontem?
- Ela...Ela estava ruim de saúde, Sara. Estava com câncer e eu não sabia, passou mal depois da nossa briga e ...
- E?
- Morreu. – Outro tapa na cara.
- Ela morreu?
- Ela já estava mal, seu irmão me disse e falou também que ela não pretendia me contar.
- Eu não sei o que dizer.
- Me perdoa?
- Agora, nesse exato momento, eu não quero nem olhar pro senhor, pai.
Eu quero sair daqui, quero pensar e um dia, quando estive pronta, te procuro. – Enfim vi uma lágrima cair de seus olhos.
- Minhas malas já estão prontas. Vamos ? – Minha mãe se levantou e eu assenti com a cabeça.
Enquanto ela ia até seu quarto pegar, fiquei ali de cabeça baixo, tentando ingerir aquilo tudo.
- Sara... – Meu pai me chamou, assim fomos em direção à porta. – Procura seu irmão ? Dá uma força pra ele? Não tem ninguém, ele está sozinho e abalado pela morte da mãe e não quer me ajuda, também está com raiva. Assim como você, ele não tem culpa de nada. – Ele me deu um papel e eu pude ver, que era um endereço.
- Ele mora em São Paulo?
- Eles sempre foram de São Paulo. – Saí dali com minha mãe e fomos para portaria, a espera de um táxi.
A outra família do meu pai, sempre foi de São Paulo, então ele sempre viajava pra lá e não a trabalho como dizia. Eu odiava mentiras e principalmente de quem amava.
Assim que chegamos em São Paulo, liguei para casa do Luan e Bruna disse que ele estava em um reunião na Central, mas que minha chave estava com ela. Então pedi para que levasse para mim e ficamos a esperando na portaria do prédio.
- Nossa, Sarinha. Nem sei o que dizer! – Ela disse assim que contei tudo para ela.
Tinha dado um calmante minha mãe, que dormiu rápido.
- Eu me preocupo mesmo é com a minha mãe. Ela está tão abalada.
- Tenho certeza que tudo vai se resolver, só uma questão de tempo. – Bruna me abraçou forte e eu chorei em seu ombro.
Resolvi preparar algo para comermos, estavam sem comer nada.
Assim que levantei, o papel que meu pai havia me dado, caiu do meu bolso e Bruna o pegou.
- O que é?
- O endereço do meu...Irmão? Meu pai pediu para que eu o procurasse.
- E você vai? – Voltei a me sentar.
- Não sei... – Fui sincera e suspirei.
- Procura ele, amiga. Ele não tem nada a ver com isso...
- Foi isso que ele disse.
- Então...
- Então eu vou lá depois. Meu pai disse que ele está sozinho e que não tem contato com nenhum parente por parte de mãe e os parentes do meu pai, nem sabem que ele existe.
- Ele deve estar mal.
- Vamos comigo lá?
- Você acha uma boa idéia eu ir?
- Acho. Vamos?
- Vamos, então ! – Sorri e fomos para cozinha.
Depois que comemos, decidimos ir até a casa de Leonardo, queria ir logo.
Deixei um bilhete para minha mãe e pegamos um táxi, eu não conhecia muito São Paulo.
Assim que chegamos ao endereço, descemos do táxi e olhamos em volta.
- Que casa bonita ! – Bruna observava, assim como eu.
- Muito linda! Parece que aqui é um lugar bom pra se morar.
- Parece tranqüilo mesmo, nunca tinha vindo para esse lado.
- Nem eu e nem é muito longe. – Resolvi finalmente, dá um passo em direção ao enorme portão da casa.
Toquei o interfone e não demorou para que atendessem, respirei fundo antes de falar.
- Leonardo ?
- É ele, quem é ? – Ele tinha uma voz agradável.
- É...Será que eu posso falar com você? – Ele demorou um pouco para me responder.
Com certeza pensava se deveria ou não me deixar entrar.
- Tudo bem...Já destravei o portão. – E assim entremos para o jardim daquela enorme casa.
Muito bem cuidado, o jardim mais lindo que eu já tinha visto. E meu pai sempre dizia para minha mãe que odiava flores, e por isso ela não fazia um jardim, era louca por flores.
Me deu mais raiva dele, mas tirei aqueles pensamentos da cabeça, criei coragem e olhei para Bruna, que assentiu, antes de abrir a porta da casa.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Capítulo 66


Acordei com meu celular tocando, olhei em volta e ainda estávamos na sala. Luan estava de mal jeito e eu por cima dele. O coitado acordaria com o braço dormente.
Peguei o celular, antes que parasse de tocar.
- Mãe? – Disse assim que vi o nome no visor.
- Sara?
- O que foi ? A senhora está com uma voz estranha. – Me sentei no sofá direito e Luan começou a despertar do meu lado.
- É...Vem pra cá? Tenho que te contar uma coisa.
- Que coisa?
- Só vou te falar pessoalmente, Sara. Vem aqui.
- Eu trabalho, mãe. Não sei se vai dar.
- Mas o seu namorado é o chefe, fala com ele que é importante.
- Muito?
- Muito! – Me espantei.
- Tudo bem. Amanhã de manhã eu estou ai.
- Está bem, minha filha. Fica com Deus !
- A senhora também. – Desliguei o celular confusa.
- O que foi, amor?
- Minha mãe quer que eu vou pra lá amanhã, disse que é urgente.
- Então vai.
- Não tem problema na central?
- Claro que não, amor. – Dei um selinho nele, que me abraçou forte.
Fomos para o quarto e enquanto eu arrumava uma pequena mala, para o dia seguinte, Luan estava sentado no meu puff, mexendo em seu celular.
- Tá pensando em que ? – Ele me perguntou, sem tirar os olhos do celular.
- Não estou com um pressentimento bom...
- De quê ?
- Dessa conversa que minha mãe quer ter comigo.
- Não deve ser nada demais, amor.
- Não tenho certeza disso... – Senti seus braços em minha cintura e logo um beijo no pescoço.
Fomos para cozinha e Luan me fez fazer um jantar para nós. Batata frita e bife acebolado, enquanto ele preparava uma salada que estava com uma cara ótima.
- Você não tem fundo, não ? Não cansa de comer ? – Perguntei rindo.
- Você também vai comer...Tem sobremesa ai ?
- E sua dieta?
- Hoje eu não tô de dieta, amor. Me deixa ! – Ri.
- Tem sorvete de chocolate na geladeira.
- Ah... – Comemos e realmente tudo tinha ficado muito bom.
Luan resolveu dormir ali e depois de ligar para sua mãe, avisando, fomos para cama e dormimos de conchinha.
Demorei um pouco, mas consegui dormir. Estava ansiosa para o que minha mãe iria me contar e meu pressentimento estranho ainda estava ali.
Meus pressentimentos não falhavam e isso me preocupava.
No outro dia, levantei cedo e Luan dormia feito um anjo do meu lado, deu tanta pena de acordar, que depois que tomei um banho e me arrumei, só escrevi um bilhete para ele e deixei do lado da cama. Ele não gostaria muito, mas estava muito cedo para acordá-lo.
Fui para o aeroporto e comprei um passagem de ultima hora, por sorte sobrava.
Me sentei para esperar a chamada do voo e meu celular tocou.
- Oi, amor...
- Como você não me acorda pra se despedir, amor ? – Luan falava com sua voz manhosa e rouca do outro lado da linha.
- Desculpa, mas você tava tão anjo dormindo, deu pena, mas por que já acordou agora?
- Eu senti sua falta na cama.
- Descansa, amor. Ainda é cedo!
- Tá, eu vou dormir mais um pouco aqui e depois vou pra casa.
- Tudo bem. Pode levar minha chave, quando eu voltar eu passo primeiro na sua casa. Não vai viajar hoje?
- Só viajo depois de amanhã.
- Então, tá. Já está chamando aqui, quando eu chegar te mando sms.
- Tá bom, meu amor. Te amo !
- Te amo!
Assim que cheguei em Londrina, peguei um táxi e fui direto para o Royal Park.
Entrei em casa e encontrei meu pai e minha mãe, um em cada canto da sala, suas expressões não eram das melhores.
- Pai, mãe?
- Que bom que chegou, filha. – Minha mãe se aproximou e me abraçou.
- O que aconteceu ? – Ela suspirou e me olhou.
- Eu e seu pai, estamos nos separando.
- Separando, por que ? – Aquilo realmente me assustou.
Meu pai se aproximou de mim e antes me deu um abraço, beijou minha testa e se afastou novamente, olhando para o chão. – Me expliquem isso direto. O que aconteceu ? Vocês nunca tiveram motivos para se separarem.
- Ele fez uma coisa muito grave e eu descobri. Quer dizer...Continua fazendo.
- O que o senhor fez,  pai ? Vocês estão me deixando nervosa! – Minha mãe começou a chorar e eu voltei a abraçá-la, mesmo sem entender nada.
- Espero que me perdoe, minha filha... – Ele dizia baixo.
- Tenho certeza que não foi nada demais e vocês vão se acertar.
- Não, Sara. Eu já pedi até o divórcio, não tem mais volta. Eu vou me mudar pra São Paulo, pra ficar mais perto de você. Pode?
- Que pergunta, mãe. É claro que pode, vai morar comigo.
- Não quero que perca sua privacidade.
- Eu não tenho nada a esconder da senhora e se vai pra São Paulo, vai morar comigo e já está decidido!  Agora me contem direito o que aconteceu.
- O seu pai tem outra família, Sara.
- Como assim, outra família ?
- Ele tem outra família. Ele está com uma mulher desde antes de você nascer, me trai com ela há anos e eu nunca desconfiei de nada. – Eu não estava creditando nos meus ouvidos.
Como assim, meu pai a pessoa mais correta que já conheci, que me corrigia por qualquer erro pequeno. Como assim, ele traia minha mãe há anos com outra mulher?
Olhei para ele com uma expressão inexplicável, eu não sabia o que fazer.
Aquilo foi realmente um tapa na cara, esperava qualquer coisa do tipo de qualquer homem, menos do meu pai.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Capítulo 65


- Que toalha você esqueceu, se eu estou vendo uma bem aqui em cima. – Peguei a tolha que estava em cima da pia e ele gargalhou.
- Ah! Estava ai ? Eu nem vi...
- Sei. Eu te conheço, seu Luan.
- Minha perna tá doendo tanto, não quer vir aqui me ajudar, não?
- (risos) Não tem vergonha, não ? – Me aproximei, enquanto ele me olhava com cara de inocente.
- Vergonha de quê, amor ?
- De ficar mentindo nessa cara de pau toda. – Ele abriu o box e me abraçou pela cintura, antes que fugisse, mas eu não iria fazer isso.
- Não tô mentindo, quero ajuda mesmo. – Ele me empurrou para dentro do box, me fazendo dá um gritinho de susto. – (risos) Agora sim eu vou te dar a noite que merece. Agora você vai ter uma noite de verdade...
- Eu já tive várias do seu lado.
- Não nos últimos tempos. – Ele fez careta.
- Pois essas dos últimos tempos, que foram as melhores.
- Eu não acredito em você.
- Eu juro! Você que é machista e quer controlar tudo. Eu não consegui fazer direito em nenhuma vez?– Fiz cara de coitada e ele riu.
- Claro que conseguiu. Você é à melhor, meu amor ! E eu não sou machista, sou homem, apenas.
- E quer controlar tudo?
- Quero... – Ele beijou meu pescoço. – Quero controlar você! – Ele sussurrou e voltou sua boca para o meu pescoço.
Tirei minha roupa rápido e os amassos começaram ali dentro, beijos intensos, molhados e exitantes.
Fizemos amor ali dentro e depois Luan me carregou pra cama, molhados mesmo e tivemos mais alguns minutos de prazer.
Ele estava fazendo questão de fazer tudo, me enlouquecia de verdade e durante o momento, dizia em meu ouvido o quanto queria fazer aquilo, mas não podia.
Acordei e vi que ainda era cedo. Fui me levantar, mas Luan estava com seu braço, em torno da minha barriga e acordou.
- Vai a onde? – Ele disse rouco.
- Colocar uma roupa, pra ir embora.
- Fica aqui?
- Não posso mesmo ! – Me levantei e me vesti, ali mesmo em sua frente.
Peguei minha bolsa e antes de sair ele me chamou.
Me aproximei e ele segurou meu rosto com as mãos e se inclinou, para me dar um beijo.
O melhor beijo de todas as manhãs, que já recebi.
- Depois me liga? – Ele disse, assim que me soltou.
- Ligo!
- Pensa com carinho ?
- Penso ! – Sorri sem mostrar os dentes e saí dali, acenando para ele.
Com receio de ter alguém em casa, passei pelo corredor e pela sala quase correndo, mas acho que ainda não tinham chegado.
Assim que cheguei em casa, me assustei com Ana e Bruna, sentadas no sofá.
- Até que enfim ! – Ainda estavam de pijama.
- Me conta como foi?
- Tá, gente. Eu passei a noite com Luan. – Revirei os olhos e segui para o meu quarto, enquanto elas me seguiam.
- Só isso?
- Só, Ana.
- Não voltou a ser minha cunhada?
- Bruninha do meu coração, eu não voltei a ser sua cunhada. – Ri e elas se olharam sem entender. – Pedi um tempo pra pensar.
- Mas você é muita dá fresca, Sara. – Ana disse, me fazendo rir.
- Fiquem quietas e me deixem !
- Nossa, eu pensei que daria certo o plano do Luan. – Bruna cruzou os braços e eu a olhei incrédula.
- Então você sabia? Até que ele iria me levar pra casa de vocês?
- Sabia e vim pra cá por isso. Tivemos até que ver um dia, que os nossos pais fossem viajar.
- Não acredito, Bruna! – Ela riu.
O dia passou naquele clima bom, com minhas amigas, me enchendo o dia todo.
Depois de uma semana, o Luan teria uma reunião na central para ver o que faria naquela semana. Tinha voltado com seus shows e muitos programas de tv, queriam uma entrevista.
Resolvi que iria dar a resposta que tanto queria, uma semana pensando, já era o suficiente.
Falei para que Rafael o mandasse ir para minha sala, assim que acabasse e assim ele fez.
- Me chamou ? – Ele entrou sorrindo e eu fiquei encantada, como sempre.
- Chamei ! – Apontei para minha frente e ele se sentou em uma das cadeiras. – Eu tenho sua resposta já.
- Tem ? E qual é?
- Bom...Eu pensei muito e resolvi te dar mais uma chance. – Sorri.
- Tá falando sério?
- Não está acreditando? Tô brincando, então. Pode ir embora ! – Brinquei e ele se levantou.
Se sentou no meu colo. – Abusado ainda.
- Fica quieta que eu sou o chefe disso daqui.
- (risos) E por isso senta em cima dos outros?
- Eu faço o que quiser com o que é meu.
- Com o que é seu?
- Você é minha, sempre vai ser... – E assim ele selou nossos lábios.
Primeiro timidamente, mas logo começou um beijo longo e bem caprichado, com direito a barulho e tudo.
Fomos interrompidos com a porta se abrindo.
- Ah, sabia ! – Bruna entrou pulando e Ana logo atrás.
- Eu disse que iria atrapalhar, mas não teve jeito. – Rafael se explicou.
- Não tem problema, Rafa. Elas sempre atrapalham ! – Revirei os olhos e ele riu, antes de sair.
- Agora eu posso te chamar de cunhada? – Bruna se jogou no sofá, como de costume e depois começou a “brigar” com Ana, por um pode de jujubas.
- (risos) Pode! Calma,crianças, tem um pacote disso aqui na minha gaveta. – Se levantaram eufóricas e eu joguei o pacote de jujubas.
- Por isso tá gorda, Bruna. Para de comer isso. – Luan disse.
- Você que tá. Deixa eu comer ! – Bruna deu língua pro irmão, nos fazendo rir.
- Me respeita ! – Ele fez graça. – E tira esse pé do meu sofá.
- Coitado! Esse sofá um dia será meu.
- Só quando eu morrer.
- Você é mais velho, então vai morrer primeiro! – Ri daquela conversa sem nexo dos dois.
- Vocês não batem bem.
- Nem um pouco, cunhada. Vamos almoçar todos juntos hoje? – Ela mudou completamente o assunto.
- Vamos! Topa, amor ? – Perguntei Luan que concordou.
Aquele dia se passou daquele jeito, Luan continuou ali me esperando até a hora do almoço e Bruna e Ana também. Eu não estava conseguindo fazer quase nada, muito mal atendia os telefonemas, eles não deixavam.
Luan atendeu alguns também, quase matando alguns fãs do coração e nos fazendo ri. Ele fingia ser um funcionário e ficava revoltado, quando todas reconheciam sua voz.
Almoçamos em um restaurante e meu namorado não me deixou voltar para o trabalho, alegando que já tinha até falado com Rafael.
Não teve jeito, tive que levá-lo para minha casa, onde nos amamos e terminamos jogados no sofá, vendo um filme de comédia, que Luan odiava e comendo pizza de chocolate.

terça-feira, 4 de março de 2014

Capítulo 64


- Sara, queria te fazer um convite. – Ele disse e eu me levantei, ficando próxima dele.
- O que ?
- Janta comigo hoje ? Naquele restaurante que eu gosto? Você ainda lembra? – Ele riu sem jeito.
- Claro que eu lembro...
- Então?
- Eu...Aceito, Luan. Mas só queria deixar claro que estamos separados e eu nem sei porque disse aquilo tudo naquela twitcam.
- Eu só disse a verdade!
- Tudo bem! – Suspirei. – As oito, pode ser?
- Ótimo! – Ele me deu um beijo no rosto, que me fez sentir todo seu perfume e saiu, deixando a dúvida no ar.
Fui para casa com minhas amigas me enchendo, queriam me arrumar inteira e eu fui obrigada a aceitar. Elas dormiriam no meu apartamento.
Quando deu a hora, tomei um banho e quando voltei já estava tudo separado na minha cama.
Primeiro fizeram minha maquiagem, arrumaram meu cabelo e eu me vestir:


 Entrei no meu carro e respirei fundo, antes de dar partida.
Entrei no restaurante e o vi de longe, de costas para a porta de entrada.
Me aproximei e pude ver o que estava vestindo. Uma calça jeans clara e um pouco rasgada, um tênis que nunca tinha visto antes, com certeza era novo e usava uma camisa xadrez de rosa, que eu me encantei.
- Oi... – Me sentei em sua frente, e vi seu sorriso lindo.
- Está bem?
- Eu que deveria está te perguntando isso. – Rimos.
- Agora estou melhor que tudo. Não tem nada melhor que andar, agora sim dou valor a minhas pernas.
- (risos) Eu fico feliz se está feliz. – Antes que dissesse algo, o garçom chegou para nos atender.
- Você está linda ! – Ele disse assim, que fez o pedido e voltamos a ficar sozinhos.
- Você também...
- Sei que adora que eu use camisa xadrez, por isso coloquei. Por que nunca me disse ? – Ele tombou a cabeça para o lado, me encantando.
- Achei que não gostasse mais e não queria que usasse só por minha causa.
- Eu gosto ainda, só perdi o costume e o que tem eu colocar só por você ? Você já fez tanto por mim, eu posso fazer por você também, o mínimo que for ! – Sorri e ele pegou em minha mão, que estava em cima da mesa.
- Mas como soube que eu gostava e nunca te disse? – Olhei para nossas mãos.
- Bruna ! – Falamos juntos e rimos.
- Eu sabia, ela é uma traidora ! – Fiz bico.
Logo nossos pedidos chegaram e eu tentei só comer, sem falar nada. Luan parecia querer falar, queria encontrar as palavras certas.
- Sara...Volta pra mim? – Ele foi direto e eu o olhei. – Eu não consigo mais sem você, eu te amo demais. Eu pensei em fazer tanta coisa pra você hoje, tantas surpresas, mas não veio nada na cabeça. Sei que isso não chega nem aos pés de algum tempo atrás, da declaração que você fez pra mim em cima do palco, mas é com todo o meu coração. Volta pra mim? Fica comigo o resto da vida? – Claro que meu coração tocou com aquelas palavras.
- Vamos fazer assim... Eu posso pensar? – Realmente eu queria pensar.
- Você quer pensar mesmo, ou fazer o mesmo que eu no passado? Pra me dar o troco?
- Não quero te dar o troco de nada. Quero pensar de verdade! Posso?
- Tudo bem, Sara. – Ele suspirou e voltou a comer, fiz o mesmo.
Puxei assunto e depois de alguns minutos, finalmente ele se soltou e já estava gargalhando gostoso, como só ele sabia.
Saímos dali e ele insistiu para que eu fosse para sua casa.
- Acho melhor não, Luan. Sua irmã e a Ana vão dormir lá em casa.
- E o que tem? Elas dormem lá sozinhas.
- Seus pais vão me chamar de doida, por terminar e do nada ir lá com você.
- Eles não estão lá...
- Você tá sozinho, então?
- Estou. Eles foram pra Campo Grande.
- Não sei...
- Por favor ? Eu ainda não estou totalmente bom pra ficar sozinho. Minha mãe estava contando com minha irmã, mas ela me abandonou. – Ri de sua frase. Sabia que aquilo tudo era puro charme.
- Tudo bem ! – Suspirei e seu motorista seguiu para sua casa.
Fomos conversando o caminho inteiro. Ele me contava que já iria retornar sua agenda e que não via a hora de poder voltar a dirigir, não faltava muito.
Assim que chegamos, Luan me chamou para irmos até seu quarto e para esperá-lo, enquanto tomava banho.
- Você já se mudou para o quarto de cima de novo ? – Perguntei, enquanto subíamos as escadas.
- (risos) Já sim. Eu gosto mais desse, confesso.
- Imaginei. – Rimos.
Fiquei sentada em sua cama e depois de alguns minutos ele me gritou, alegando que tinha esquecido sua toalha. Mas eu jurava que tinha o visto passar com ela.
Sorri e me levantei. Iria dar o que ele tanto queria.
Eu também queria, por que não ?
Abri a porta do banheiro e cruzei os braços, enquanto o esperava olhar na direção em que eu estava, já que estava de costas. Cantava algo e se ensaboava.
Não agüentei e ri da cena. Ele se virou, mas não deu para ver nada, já que box estava embaçado de tão quente.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Capítulo 63




- Como assim ele te bateu, Ana ? – Ela me olhou e limpou as lágrimas.
- Me bateu, amiga. Me deu um tapa na cara, porque eu disse que não queria que ele se drogasse.
- Você não deveria ter deixado...
- E o que eu iria fazer?
- É, tem razão. – Suspirei. – O que você vai fazer agora?
- Nada.
- Como nada, amiga? Não vai falar com a polícia?
- Não, ele é traficante e disse que iria fazer mal até pra você e pros meus pais se eu o denunciasse.
- Que pilantra! Eu achei que ele era do bem.
- Eu também, ele nunca demonstrou nada de errado, sempre foi carinhoso.
- Eu sinto muito! Mas não fica assim, logo você vai arrumar alguém.
- Eu não tenho sorte no amor, não adianta. – Minha amiga resmungou.
- Você vai arrumar alguém e eu vou te ajudar, agora vamos esquecer isso. – Limpei um pouco de lágrimas, que ainda caiam em seu rosto.
Comemos uma lasanha que já estava pronta e ligamos para Bruna ir até lá, nos divertir. Ela era sempre a que tinha o humor melhor e como eu previ, ela animou bastante Ana.
- Ah! Já ia me esquecendo... – Bruna pegou meu notebook e colocou em seu colo.
- O que ? – Ela o ligou e entrou em seu twitter.
- Olha...O Luan tá fazendo twitcam. – Revirei os olhos, mas ela me ignorou e aumentou o volume do computador.
Ele falava animado com as fãs e até se levantou, para mostrar que já estava andando de verdade e logo iria parar de usar as muletas também. Via o brilho em seu olhar.
Me assustei quando vi muitas perguntarem por mim e rezei para que ele não visse, ou não respondesse,  mas foi em vão.
- Sara está em casa, amores. Como sabem ela está trabalhando na central e já deve ter chegado, mas está cansada, tadinha. – Ele riu. – Quero agradecer  a todos que me deram forças, que não desistiram de mim e que me fizeram ver que meu lugar é  em cima de um palco, mesmo que em uma cadeira de rodas. Eu nasci de novo, isso foi um obstáculo e tanto que tive que enfrentar, mas venci, graças a Deus e a vocês. Como já sabem a Sara foi uma das principais responsáveis por isso também. Foi ela que me deu forças, até me enfrentou e brigou comigo (risos). Era a única que tinha essa coragem de me fazer enxergar, por isso a amo tanto! Beijos se você estiver vendo, amor. – Os fãs ficaram apaixonadas por aquilo e eu com cara de taxo, sem entender nada. Mas fiquei calada, preferi pensar que ele fez isso para disfarçar e que só iria contar que estávamos separados mais para frente.
- Ele ainda te ama, amiga. – Bruna disse, assim que a twitcam acabou e fechou o notebook.
Eu nem tinha visto quando acabou.
- Hãn...É melhor não falarmos nisso.
- Está bem, mas fique sabendo que meu irmão ainda te ama muito e assim como um dia você não desistiu dele, quando ele não te queria, ele não vai desistir de você . – Ela sorriu.
Ana mudou de assunto, mas eu não prestava a atenção em nada. As palavras da minha amiga ficaram na minha cabeça o dia todo e a noite toda também.
No outro dia fui para central, como sempre e me surpreendi com a quantidade de telefonemas de fãs que recebi. Todas queriam que eu mandasse um beijo para o Luan e outras me agradeciam por ter cuidado dele tão bem e dado forças para continuar e não desistir delas.
Me emocionei demais, quem diria que aquelas que um dia me odiaram tanto, agora estavam me agradecendo.
Marquei de almoçar com Bruna e Ana no restaurante do prédio. Ana estava no intervalo do trabalho e Bruna saia cedo de seu curso.
- Que fome ! – Ela se sentava ao meu lado, enquanto eu ria.
- Você vive com fome, amiga. – Ela fez careta.
Fizemos o nosso pedido e de longe vi Dudu, procurando uma mesa.
O chamei com a mão e ele se aproximou de nós.
- Senta com a gente... – E assim ele fez. Puxou uma cadeira do lado de Ana. – Não está trabalhando?
- Tirei uns dias de folga, eu mereço. – Ele riu.
- Por isso veio almoçar fora? – Brinquei.
- Vim aqui andar a toa e aproveitei pra almoçar.
Depois de conversamos e comermos bastante, Dudu foi embora e Bruna e Ana, resolveram me levar até o escritório.
- Você viu o que eu vi, Sarinha?
- O clima entre a Ana e o Dudu ? Vi sim! – Ri.
- Parem com isso! Não teve clima nenhum... – Ela revirou os olhos, enquanto ainda ríamos.
Fomos falando o tempo inteiro e ela emburrada. Entrei para minha sala assim que chegamos e não passou nem dez minutos e elas entraram também.
- Não vão embora?
- Eu vou ficar. Daqui a pouco você vai sair mesmo e aqui tá bom o ar condicionado. – Bruna se jogou no pequeno sofá e eu ri.
- Como sabe que eu vou sair cedo hoje?
- Ela é a dona dois daqui. – Ana dizia, nos fazendo rir.
- Me esqueci...
- Acho que eu também vou ficar. Me ligaram do trabalho e não preciso mais voltar.
- Podem ficar, só não me atrapalharem ! – Fiz cara feia e elas riram.
Mas não adiantou nada, elas tagarelavam sem parar e até eu entrei na pilha, quando o assunto era Ana e Dudu. Seria ótimo os dois juntos mesmo.
- Como eu sou muito sua amiga, eu dou um empurrãozinho, Aninha.
- Para, Bruna !
- Faz isso, Bru. Eu também ajudo...
- Vocês são chatas!
- Sara? Opa, quanta gente ! – Rafael, entrou na sala.
- Estão aqui me perturbando, Rafa.
- Vocês que estão me enchendo. – Ana resmungou.
- Expulsem elas daqui.
- (risos) Como é a irmã do patrão, não posso fazer isso, Sara. Sinto muito !
- Isso mesmo, Rafa! – Bruna riu.
- Bom...Tem alguém querendo falar com você, pode ser?
- Quem ? – Ele foi até a porta e a abriu.
Luan entrou na sala e eu suspirei.
Aquele maldito encanto que tinha acabada, ou que eu achava que tinha acabado, estava voltando.
Ele estava com uma blusa branca com preto, seu óculos ray ban, boné azul marinho, calça preta e seu tênis coturno de sempre.
Seu perfume inundou o ambiente e eu logo reparei em uma coisa, ele não usava mais suas muletas, começou a andar lentamente até onde estávamos e eu sorri com aquilo.
Ele tinha voltado a ser o Luan, o de sempre e que conheci.
- Pi...Você já tá andando sem aquelas coisas? Como não me disse? – Bruna quebrou nosso clima, e ele riu.
- Eu parei de usar hoje e nem sabia, mas a doutora disse que se eu quisesse era só ter confiança e andar e aqui estou. – Depois dela abraçar seu irmão e Ana também.
Todos saíram dali, nos deixando sozinhos.

domingo, 2 de março de 2014

Capítulo 62


Cheguei em casa e fui direto para o banho, lavei os cabelos e coloquei um pijama curto. Fiz um brigadeiro e liguei a tv, o filme era romântico e só resultou em uma coisa, eu chorei igual criança.
Tudo que eu mais queria era ficar com o homem da minha vida e depois de muito tentar, consegui, mas não estava conseguindo suportar nossa relação. Seus ciúmes eram demais pra mim, e parecia que até o encanto estava passando. Ele mesmo estava fazendo com que o encanto que eu sentia por ele, acabasse.
O interfone tocou e eu fui atender, o porteiro dizia que um tal de Diogo, queria falar comigo. Pensei bem e decidi deixá-lo subir.
- O que você quer ? – Fui grossa, assim que abri a porta.
Voltei a me sentar no sofá, com meu prato de brigadeiro e ele se sentou ao meu lado.
- Você está mal, não é ? – Ele perguntou o óbvio e eu revirei os olhos, antes de levar mais uma colherada a boca.
- Como pode ver... – Apontei pra mim mesma e ele riu fraco.
- Me desculpa se fui eu que causei isso tudo. Você e Luan devem estar pensando horrores de mim, mas eu juro que tudo não passou de uma coincidência.
- Eu não estou pensando nada de você, mas Luan deve estar mesmo. – Fui sincera.
- Me desculpa mesmo, eu estou morrendo de vergonha. Conversei com ele antes de vir aqui e expliquei tudo, ele disse que não está com raiva de mim, até me abraçou.
- Já é um começo. – Disse o fazendo ri de novo. – Mas não se culpe, vai ver não é pra ser eu e o Luan. Porque nunca dá certo!
- Claro que é, dá pra ver o quanto se amam, isso é só uma fase. Todo mundo passa por altos e baixos.
- Nós sempre passamos por baixos e baixos. – Fiz careta.
- (risos) Você é engraçada!
- Você acha ? – Revirei os olhos.
Conversei mais com Diogo, que parecia realmente uma pessoa legal e depois de quase uma hora, ele foi embora.
Custei dormir naquele dia, já era quase 5:00hrs quando o meu sono chegou.
No outro dia, Bruna e Ana foram até meu apartamento e passamos o dia conversando e comendo besteira.
- Você não me parece tão triste assim, Sara. – Ana disse.
- Estou sim!
- Pode estar triste, mas nem tanto, como naquela vez que o Luan te deu um toco. – Fiz careta.
- Eu exagerei naquela vez. – Comi meu sorvete.
- Você não gosta mais dele, amiga ? – Bruna me perguntou e eu suspirei.
- Gosto, Bruna. Eu amo ele, mas o encanto do começo, tá passando, entende ?
- Sei como é.- Mudei de assunto e voltamos a conversar.
Na segunda, fui trabalhar cedo, como de costume. Não iria sair da central, só se me demitissem.
Falei com todos assim que cheguei e fui direto para minha sala.
- Sara! – Diogo entrou e eu o olhei de rabo de olho, o fazendo rir. – Eu tenho uma notícia, que acho que vai gostar.
- O que ? – Perguntei sem interesse, sem tirar os olhos do computador.
- O Dudu esteve com o Luan ontem e eles voltaram a se falar. – O olhei.
- Sério?
- É e eu já sei o porque pararam de se falar. – Fiz careta.
- Que bom, então !
- Ele até foi na casa do Luan, ainda tinha coisa lá ontem.
- Vocês gostam de uma festa, em! – Ele riu, enquanto se sentava em uma cadeira, na frente da minha mesa.
- Ele está aqui...
- Ele quem ?
- O Dudu e quer falar com você.
- Comigo?
- É...Posso mandar ele vir aqui ? – Pensei um pouco antes de respondê-lo.
- Tudo bem, mande ele entrar. – Diogo saiu dali sorrindo e logo Eduardo entrou.
- Não esperava você aqui e muito menos querendo falar comigo. – Eu disse, antes que se sentasse.
- Nem eu. Mas...Eu fui falar com o Luan, como o Diogo, já deve ter dito e resolvi falar com você também.
- Vocês voltaram às boas, não é ? Fico feliz !
- Voltamos sim e eu também estou feliz, Luan é um grande amigo. Eu queria voltar a falar com ele logo depois do acidente, mas ele poderia pensar que era por pena e sei o quanto é orgulhoso. Fiquei sabendo que estava se recuperando no sábado e ontem fui na casa dele.
- Fico feliz por vocês ! – Sorri sincera.
- Eu queria que voltasse a ser minha amiga também. Você é uma pessoa do bem!
- Claro que volto, você também é do bem, Dudu. Me desculpe pelo passado!
- Vamos esquecer o passado.
- E sua namorada sabe que você está aqui?
- Eu não estou mais com Beatriz, ela não é quem eu pensava ser. E peço desculpas por tudo que ela te fez.
- Você não tem culpa de nada e como já disse, vamos esquecer o passado! – Me levantei e abri os braços para lhe abraçar. – Você vai encontrar alguém a sua altura!
Acabou que naquele dia, almocei com ele e Diogo, em um restaurante do prédio mesmo. As coisas estavam voltando ao normal, mas como sempre, para mim, ainda não estava tudo perfeito e encaixado.
Será que minha vida nunca estaria perfeita ? Será que minha felicidade nunca estaria completa?

( ... )

Estava voltando do trabalho, duas semanas depois. Tudo continuava a mesma coisa, eu só tinha notícias que Luan melhorava a cada dia mais, pelo pessoal do escritório. Bruna continuava a ir nos finais de semana na minha casa, mas não tocava em seu nome. Então decidi que iria esquecer, já que minhas suspeitas se confirmavam, meu encanto por ele, estava mesmo indo embora. Resolvi seguir a vida do melhor jeito possível.
Antes mesmo que eu tirasse minha sandália, a porta se abriu com tudo, me assustando.
Ana chorava e largou sua bolsa no chão, antes de me abraçar forte.
- O que foi, amiga ? -  Ela não respondia, só soluçava. Me sentei com ela no sofá e retribui seu abraço, estava assustada e perdida. – Ana, me diz o que está acontecendo. – Me afastei dela e a olhei. – Respira fundo e começa a falar.
- Amiga...
- Fala com calma.
- O Conrado...
- O que tem ele, Ana?
- Ele se droga e me...
- Se droga? – Ela confirmou com a cabeça.
- E me bateu ! – Voltou a chorar e a me abraçar. 
Fiquei perplexa.

sábado, 1 de março de 2014

Capítulo 61


Com o passar do tempo, as coisas só estavam piorando. Em dias de semana, quase não dava para eu passar na casa do Luan, o que o deixava estressado e quando chegava no fim de semana, ele descontava sua raiva, o que resultava em uma coisa, briga. Ao invés de aproveitarmos o pouco tempo juntos, no final de semana, brigávamos.
As coisas pioraram mais ainda, quando ele soube que o tal de Diogo, estava indo ao seu escritório. Na verdade, ele ia muito pouco com o Sorocaba, mas já foi o suficiente para Luan ficar sabendo e suas crises de ciúmes incontroláveis, voltar.
Eu estava extremamente irritada com aquilo tudo, sem paciência pra nada e muito menos para coisas idiotas que saiam de sua boca.
Estava em um sábado em casa. Sim, eu estava em casa, estava de tmp e não queria me estressar mais ainda com Luan, então decidi ficar em casa vendo tv e comendo porcaria. Recebi várias ligações dele pela manhã, mas não atendi, não queria mesmo ir para sua casa.
Liguei a tv novamente depois de um sono longo, e fui pegar algo para comer na cozinha, olhei no relógio e já marcava 15:00hrs.
Ana me ligou e disse que iria almoçar e depois iria sair com seu namorado. Sim, como eu havia previsto, Conrado, a pediu em namoro no Natal. Reclamei com ela, por ter marcado de ver um filme comigo no final da tarde, mas acabei entendendo, estava em uma fase ótima de seu namoro, o início.
Meu celular tocou, assim que desliguei, olhei no visor e era o número de Bruna, com certeza a pedido do irmão. Suspirei antes de atender.
- Oi, Bru.
- Oi, cunhada. O que houve que não veio pra cá hoje?
- Estou de tmp.
- Entendi. Você e Luan já brigam mais que tudo, imagina você de tmp.
- Acertou em cheio. – Bufei e ela riu.
- Então, tenho uma coisa pra te falar...
- O que é?
- Tá sentada?
- Tô, por que ?
- Ainda bem, se não você caia.
- Fala o que é, Bruna! – Quase gritei e ela riu.
- Está bem... O Luan está andando de muletas.
- O que ?
- Isso mesmo. Fomos hoje de manhã na fisioterapeuta e ele conseguiu ficar de pé sozinho e andou com as muletas. Ele tá voltando a andar, Sarinha! – Ela falava eufórica e eu não pude deixar de sorrir.
- Nossa ! Que ótimo ! Eu nem sei o que dizer...
- Ele te ligou pra ir também, mas não atendeu... – Confesso que a consciência pesou um pouco.
- É...Eu estava com muita cólica e desliguei, tinha acabado de acordar. – Não menti.
- Eu te entendo.
- Mas já estou indo aí, tudo bem?
- Está bem. Vamos fazer uma coisinha aqui pra comemorar, como sempre. – Rimos.
Depois que desliguei, tomei um banho rápido e me arrumei.
Fui direto para casa do Luan, estava feliz com sua recuperação, era tudo que queríamos.
- Amor ! – Abri a porta e sorri, quando o vi de pé com a ajuda das muletas.
Estava sozinho na sala, ouvia as vozes de seus pais e Bruna na cozinha.
Coloquei minha bolsa no sofá e corri para o abraçar, estava muito feliz.
- Por que não me atendeu de manhã ? – Ele não retribuiu meu abraço e nem sorriu.
- Desculpa, eu estou menstruada e estava com dor.
- Você podia ter me atendido e ter ido comigo na fisioterapia, você nunca deixou de ir comigo lá.
- Me desculpa mesmo, amor. Eu estou com a consciência pesada, mas eu tinha esquecido que era hoje.
- Você anda muito esquecida quando o assunto sou eu.
- O que você quer dizer com isso ?
- Você não é mais como antes, Sara. Anda grossa, não me trata mais como antes.
- Como não ? Eu te trato sim como antes. Só que agora eu trabalho mais, ando mais estressada, estou de tpm hoje, eu sou humana !
- Sei que é humana, mas antes era mais carinhosa comigo...
- E ainda sou! Você está blefando, Luan. Não mudou nada !
- Mudou sim.
- Eu só fico estressada e grossa, quando o assunto é seus ataques de ciúmes.
- Eu tenho ciúmes com razão, eu já te expliquei há um tempo atrás.
- E eu tenho que agüentar você me sufocando sempre?
- Isso que você acha ? Que eu te sufoco ? – Bufei com as mãos no rosto.
- Para com isso, você quer brigar hoje ? Por isso não queria vir aqui também, você sempre arruma uma maneira de brigar. Hoje é dia de comemorar, você está voltando a andar.
- Tudo bem, Sara. Mas fique sabendo que estou muito chateado com você ! – Ele saiu, em direção à cozinha e eu suspirei, antes de segui-lo. 
Ajudei sua mãe a fazer o almoço, enquanto ele e seu pai, conversavam, sentados a mesa. Bruna fazia um doce e tagarelava sem parar, nos fazendo ri.
Começou a chegar algumas pessoas ali e eu me assustei, não sabia que tinham chamado alguns amigos.
Compraram bebidas e aquela tarde passava animada, todos estavam mais que felizes por Luan, e eu também, mas nunca tinha duvidado de sua recuperação.
Vi que alguém tinha derrubado um pouco de bebida na calça do Luan e ele se levantou, dizendo que iria se trocar. Amarildo perguntou se precisava de ajuda, mas ele recusou e foi em direção ao seu quarto. O segui.
- Quer ajuda? – Eu entrei logo atrás dele.
- Não...Me dá licença, por favor ?
- Eu sei que está triste, me desculpa. Você tem razão, eu devia ter te atendido.
- Eu sei que não me atendeu com medo que eu te chamasse pra vir aqui. Não está mais me suportando, não é?
- Para com isso, Luan! Não é nada disso...
- Não adianta me enganar, Sara. – Ouvimos a porta se abrir e eu passei as mãos no cabelo, quando vi quem era. Não era possível.
- Você ? – Apontei para Diogo, sem acreditar.
- Me desculpa, achei que aqui fosse o banheiro.
- Quer saber, Sara...Você não me merece mesmo. Eu sou muito pouco pra você, fica com um cara melhor. – Luan começou a falar e eu o olhei sem acreditar. – Fica com ele, ele sim deve ser melhor pra você.
- Você tá doido ? Eu não tenho nada com ele. É tudo coincidência,  a gente não se esbarra por querer.
- É Luan...Me desculpe, se estou sempre atrás da sua mulher. Pode parecer perseguição, mas eu juro que tudo não passa de uma coincidência. – Ele se explicou.
- Pode ser, mas eu não quero saber mais disso!
- Luan, para de me irritar, com as bobeiras que fala. – Me irritei. – Você quer saber? Quer se separar? Ótimo ! – Saí dali empurrando Diogo, que estava na porta.
Peguei minha bolsa no sofá e nem me despedi de ninguém, saí cantando pneu.