sábado, 22 de fevereiro de 2014

Capítulo 53


Assim que cheguei à casa do Luan, sua mãe me disse que ele estava tomando banho, ela acabava de fazer o jantar e Bruna, um doce, como sobremesa.
Logo o pessoal começou a chegar, falando baixo para que ele não ouvisse.
Sorocaba acendeu a churrasqueira e começou a chegar mais pessoas.
- O Luan vai acabar com a água do planeta! – Eu disse, quando fui para área de fora, onde todos estavam.
- (risos) Nunca vi demorar tanto ! – Bruna disse e eles riram.
Marizete veio avisar que ele tinha saído do banho, corri até seu quarto, enquanto os outros ficaram calados.
- Luan ? – Entrei sem bater.
- Sara ! Quer me matar ? A sorte que não estava sem roupa. Bate na porta antes de entrar no quarto dos outros, tá ? – Ele disse irritado, abotoava sua calça ainda e estava sem camisa.
- Eu sabia que não estava sem roupa, seu pai me disse.
- Ah! Me esqueci que agora sabem tudo sobre mim, ele tem que me colocar nessa merda de cadeira, só depois de me ajudar a colocar a calça. – Revirei os olhos.
- Por que está desse jeito ? – Me sentei em sua cama. Agora ele vestia a blusa.
- Porque eu quero.
- Grosso !
- Sou mesmo e daí ? – Bufei.
- Acaba logo ai, pra gente ir lá pra fora.
- Acho que vou ficar vendo televisão aqui, não quero sair.
- Para de graça ! Você tem que comer.
- Eu não quero, você escutou  ? Não sou criança...
- Mas está parecendo ! Agora me diz por que está assim.
- Você não tinha um encontro ?  O que faz aqui e arrumada desse jeito ? – Eu ri, era isso.
- Seu bobo, eu estava brincando. Eu sempre estou arrumada, está bem?
- Sempre nada, vem pra cá com uns pedaços de shorts, que parecem mais de mendigas ! – Arregalei os olhos.
- Idiota. Vamos logo ! – Empurrei sua cadeira, depois que ele passou seu perfume, mas ainda reclamava que queria arrumar aquele cabelo. Se eu deixasse iria ficar ali até o dia amanhecer.
Assim que saímos, ele estranhou ninguém estar na cozinha e mais ainda, quando viu que estávamos indo em direção a área da piscina, mas logo entendeu, quando viu todos gritando “surpresa”.
Luan chorou como sempre, ele estava chorando muito ultimamente. Recebeu abraços e parabéns de todos, muitos beijos de sua irmã e sua mãe também, em recompensa por ter sido “ignorado” o dia inteiro.
- Por isso estavam estranhos comigo ! – Ele riu, secando as lágrimas, enquanto todos gargalhavam.
Ligaram o som e a carne começou a ser servida. Ele estava visivelmente feliz com seus amigos e eu estava mais ainda, por ele. Perguntou para mim se tinha problema beber um pouco de bebida alcoólica falei com sua mãe e ela disse que não, ele não estava tomando remédios tão fortes que o impedia de beber.
Ele estava tão feliz, seu sorriso não cabia no rosto e por um momento deixei uma lágrima escapar por isso, mas ninguém viu.
- Esse era seu encontro, então ? – Luan fez careta.
Estava na cozinha e ele veio atrás. Eu gostava quando ele mesmo guiava sua cadeira,  já  que na maioria das vezes não gostava de fazer aquilo e nem que ninguém fizesse.
- Era ! – Ri.
- Você é uma idiota mesmo ! – Ele negou com a cabeça.
- E o seu mau humor ? Acho que passou, até me perguntou se podia beber. Bom menino ! Só liberei por isso. – Brinquei e ele revirou os olhos.
- Eu perguntei porque não sabia, achei que você soubesse porque é minha enfermeira agora, mas ainda teve que perguntar minha mãe. – Ele dava uma desculpa qualquer.
- E por que não perguntou direto a ela ? – Cruzei os braços, prendendo o riso.
- Porque...Você estava mais perto. – Deu de ombros e eu ri.
- Eu finjo que acredito. Agora vamos voltar, que os convidados devem estar sentindo sua falta!- Virei sua cadeira.
- Pode deixar que eu empurro!
- Não! Eu que vou... – Ele foi resmungando até chegar onde todos estavam de novo.
A noite passou animada e no final dela, deram seu violão para que cantasse.
No começo ele recusou, ainda estava frágil quanto a isso, mas seus amigos insistiam.
Então ele começou a tocar e a cantar, primeiro sozinho e depois todos o acompanhavam.
Sua mãe estava tão feliz quanto eu, aos poucos sua vida voltava ao normal.
Ele começou a tocar e a cantar uma de minhas músicas favoritas, ele sabia disso. Nós escutávamos juntos a música, quase o dia inteiro e ele sempre reclamava por eu só querer escutar ela e sempre repetir, milhares de vezes.

Eu te vi e já te quis
Me vi tão feliz
Um amor que pra mim era sonho

Surpreendente provar
Do que, eu só ouvi falar
Que você resolveu me mostrar

Logo eu que nem pensava
Eu não imaginava, te merecer
E agora sou o dono desse amor
Eu nem quero saber porque
Eu só preciso viver
O resto desta vida com você.

Te vi e já te quis
Me vi tão feliz
Um amor que pra mim era sonho

Surpreendente provar
Do que, eu só ouvi falar
E você resolveu me mostrar

Logo eu que nem pensava
Eu não imaginava, te merecer
E agora sou o dono desse amor
Eu nem quero saber porque
Eu só preciso viver
O resto desta vida com você.

Eu que nem pensava
Não imaginava, te merecer
E agora sou o dono desse amor
Eu nem quero saber porque
Eu só preciso viver
O resto desta vida com você...
Com você... Você...
O resto desta vida com você....

  “ Logo eu – Jorge e Mateus”.

- Eu... – Ele parou a música.– Comecei a cantar essa música e lembrei de uma coisa e achei que essa hora é a melhor... – Todo mundo prestava a atenção no que dizia, sem saberem do que estava falando. – Eu recebi um pedido, já faz um tempinho e não respondi, mas hoje eu vou dar essa resposta, agora. – Ele estendeu o violão para seu pai, que o pegou e se aproximou de mim, que estava sentada um pouco atrás deles. – Quer namorar comigo, Sara ? Ainda está de pé aquela sua proposta, que você me fez em cima do palco, antes de tudo isso acontecer? – Fiquei sem reação assim como todos.
Ninguém esperava.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Capítulo 52



( ... )

Depois de meses até que estava tudo tranqüilo, o Luan estava mais conformado, ele dizia que procurava não pensar muito naquelas coisas e se esforçava demais na fisioterapia. Ainda não estava mexendo nem o pé, mas falta de fé é que não era para ele sair daquela cadeira logo. As fãs o apoiavam em tudo e eu e ele estávamos muito amigos, como prometi, vivia em sua casa, ajudando sua mãe que me agradecia eternamente.
Tinha me mudado para o meu apartamento naquela semana, tinha dado problema e meu pai teve que fechar contrato com outra pessoa, foi um rolo só, mas felizmente deu tudo certo e eu já estava no meu apê, há poucos dias, mas estava.
Estava trabalhando na central também, mas ia só uma vez na semana, a pedido de Arleyde mesmo e pro meu espanto. Pedia para que ficasse mais com Luan e depois que sua vida voltasse ao “normal”, eu poderia trabalhar normalmente também.Confesso que gostei bastante.
No dia seguinte, seria o aniversário do Luan e todos agiam como se não estivessem se lembrando, e nem atenção a ele estávamos dando aquele dia. Era maldade, mas fazia parte do plano para sua festa surpresa. Ele estava sentido, por ser sempre os centro das atenções e o mais mimado nos últimos tempos, visivelmente triste, o que me cortava o coração, mas tínhamos que levar aquilo à diante.
Fui para sua casa, Marizete iria sair com Bruna para comprar algumas coisas para fazer, teria churrasco e ela faria o jantar. Fui ficar com ele, já que seu pai também não estava em casa, estava indo mais para central de fãs, do que de costume, ele que estava cuidando de tudo mesmo, no lugar do Luan.
- Apareceu ! – Ele jogava vídeo game na sala.
Estava na cadeira de rodas, quando seu pai não estava tinha que ficar sempre ali, nenhuma mulher o agüentaria.
- Eu sumi ? – Me sentei no sofá.
- Sumiu ! Você não veio aqui anti ontem e nem ontem. – Eu estava organizando sua festa.- Minha mãe e a Bruna não estão nem ai pra mim, saíram e me deixaram aqui sozinho ! – Ele fazia drama, enquanto eu ria. – Ri mesmo !
- (risos) Para de bobeira, elas me ligaram pra ficar com você.
- Então só veio por que pediram ? – Neguei com a cabeça enquanto ele fechava a cara. – Mesmo assim, elas deveriam ter saído só quando chegasse.
- Eu já estava na portaria, Luan. Você é alguma criança, por um acaso ?
- É assim ? Tá bom, então ! – Ele voltou a jogar e a prestar a  atenção em seu jogo.
- Para, Luan ! – Ri e me aproximei dele.
Me ajoelhei em sua frente e tentei tirar o controle da sua mão.
- Para !
- Não paro...Olha pra mim.
- Eu não quero, me deixa ! – Eu ria dele.
Ele pausou o jogo derrotado, já tinha lhe feito morrer mesmo. Olhou pra mim com aquele olhar penetrante e eu me aproximei devagar. Cheguei perto do seu rosto e senti sua respiração quente e acelerada no meu rosto.
Passei o dedo em seus lábios e ele subiu seu olhar para os meus olhos, nos encaramos por algum tempo e eu me aproximei mais. Quando nossos lábios iam se tocar, ele colocou seu dedo na frente, com delicadeza, afastando sua cabeça para trás.
- Eu...Não quero ! – Ele disse sem me olhar.
- O que você não quer ?
- Te beijar...Não quero te beijar nesse estado, sentado nisso.
- O que tem a ver ? Eu quero beijar você, não importa como esteja.
- Não quero isso agora pra mim, Sara. Estou focando na minha recuperação.
- E eu não posso te ajudar?
- Você já ajuda e muito. Não sabe como senti sua falta apenas por dois dias. – Sorri.
- Então...Eu vou continuar te ajudando.
- Só quero que seja minha amiga por agora.
- Para de ser cabeça dura ! – Me levantei e bufei, enquanto cruzava os braços.
- Você não me entende...
- E nem vou entender. Idiota !
- Para de me xingar.
- Não paro ! – O encarei e ele ergueu uma sobrancelha.
Me aproximei, enquanto me olhava curioso, me curvei e coloquei as duas mãos abertas, em cima de suas pernas, seus olhos acompanharam meus movimentos, mas logo voltaram para meus olhos. – Eu não vou desistir, porque eu realmente te amo. – Eu disse baixo.
- Você só está com pena de mim. – Ri.
- Você só pode ser louco ! Eu te amo e acho que estou dando provas o suficientes.
- Que mulher com seu juízo perfeito vai me querer nesse estado?
- Mulher com juízo perfeito pra você é só mulher interesseira ? Que só quer saber da sua fama? Então realmente eu não estou com a cabeça boa, porque não me importo com isso e te quero, seja como for. – Fiquei de pé de novo.
Me sentei em seu colo de lado e de vagar, com cuidado, a cadeira estava travada.
Me aproximei de novo de sua boca.
- Me beija, vai?
- Eu...
- Para e me beija logo. Você vai se tornar um inútil só porque está nessa cadeira ? Não vai mas saber nem beijar uma mulher só por isso ? – Ele me encarou por mais um tempo, mas não demorou muito para grudar suas mãos em minha nuca e me beijar.
Era um beijo intenso e calmo, mas que se transformou em questão de segundos, em um beijo rápido e muito quente. Envolvi minhas mãos em seu pescoço também e retribui da melhor forma que consegui.
Foi ficando quente aquele lugar, coloquei uma das mãos por baixo de sua camisa e a outra em seu braço, que estava arrepiado.
- Para, Sara. É sério ! – Ele me afastou bruscamente dele.
- Por que ?
- Você sabe que eu não posso fazer isso, não sinto mais nada e... Nem quero nesse estado. – Ainda continuava sentada em seu colo e ele segurava meus braços.
- Tudo bem ! – Suspirei, mas sorri logo em seguida. – Te amo ! – Selei nossos lábios demorado, antes de me levantar.
- Você me paga por isso!
- Olha que eu vou embora e te deixo aqui sozinho ! – Ri, enquanto ia até a cozinha e pegava uma banana.
- Quer ir? Pode ir ! – Ele deu de ombros, quando voltei.
- Tenho um encontro hoje, quando sua mãe e sua irmã voltarem eu vou embora me arrumar. – Luan fingiu que não ouviu e pegou seu controle de vídeo game de novo, ri.
Assim que Marizete e Bruna chegaram, dei um beijo no rosto do Luan e disse que teria que ir me arrumar para um encontro. Ele estava acreditando de verdade, pisquei para elas quando saí. Me arrumei rápido quando cheguei em casa e resolvi postar alguma coisa no instagram, estava abandonado. Realmente minha vida estava em torno do Luan, mais do que nunca.




quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Capítulo 50


- Será que a Arleyde não vai brigar ? – Fiz careta.
- Não...Eu já disse a ela, que quando estivesse pronto iria contar.
- Tudo bem ! – Ajeitei tudo para ele, em seu celular mesmo e voltei  para a poltrona, em que estava sentada.
- Oi, amores ! – Ele sorriu. – Tudo bem com vocês? Eu sei que estão preocupadas comigo, mas já estou ótimo, viu ? Mandei a Sara avisar, ela disse direitinho ? – Ele riu e olhou em minha direção. Me apavorei, elas saberiam que eu estaria ali. – Bom...Vim aqui falar uma coisa muito importante pra vocês, mas não quero que fiquem preocupadas, apenas do meu lado, pode ser ? Vocês prometem ? – Ele suspirou e me olhou mais uma vez, antes de começar. Assenti com a cabeça e ele entendeu que aquela era a hora. – Eu...Não estou andando, mas vou voltar, é só uma questão de tempo. Não quero que percam a fé, assim como eu. – Ele ficou lendo os comentários. – Eu estou paraplégico sim, mas como eu já disse, minha fé em Deus é maior e logo eu vou estar em cima de um palco, cantando e pulando. – Ele riu fraco – E...É isso ! Eu confesso que estava bem nervoso pra vim aqui falar com vocês, porque acredito que estão tão surpresas quanto eu e minha família. Mas eu tenho pessoas maravilhosas do meu lado e uma...Uma me deu forças pra vim aqui e abrir o jogo. Não quero ninguém nervosa e muito menos chorando, porque eu ainda estou vivo e vão me aturar por vários anos ! – Ele riu. A central vai ir dando notícias minhas, vou estar sempre no instagram como sempre (risos) e vou pedir a Sara para ir informando vocês também. Ela está sempre do meu lado, está me ajudando demais essa menina. É uma bela amiga e se deixarem, vai ser de vocês também. Beijos e nos vemos por aí ! – Ele acenou e tirou da twitcam.
- Você fez bem ! – Eu me levantei e me aproximei dele.
- Estou mais aliviado, confesso ! – Ele sorriu e pegou na minha mão, o que me causou um frio na barriga inexplicável. – Muito obrigado por tudo, mais uma vez.
- Estou fazendo mais que minha obrigação. – Toquei seu rosto e ele fechou os olhos.
- Eu não sei o que seria de mim sem você ...
- Eu que não sei o que seria da minha vida sem a sua ! – Fomos nos aproximando devagar.
Encostei minha testa na sua e podia ouvir sua respiração pesada,  fechamos nossos olhos e eu acariciava seu rosto, lisinho.
Quando nossos lábios foram de encontro, bateram na porta e eu me afastei no susto.
- Luan... – Me assustei quando vi Paula ali, Luan também pareceu surpreso.
- Paula?
- Vim te ver, fiquei sabendo do que ouve. Nossa ! Eu nem sei o que dizer... – Ela se aproximou e só então olhou em minha direção. – Sara...
- Oi ! – Sorri fechado e sem jeito.
- Não sabia que estava aqui, não sabiam que eram amigos assim tão próximos e depois de tanto tempo que saiu da equipe.
- Pois é, nos tornamos amigos demais e mesmo não trabalhando com o Luan, estou aqui com ele.
- Entendi...Fiquei sabendo de tudo pelas fãs.
- Elas estão preocupadas. – Luan disse.
- Você está bem ? Não ouve nenhuma fratura ? – Ela disse e Luan me olhou, mais uma vez assenti para que falasse. 
Ele teria que aprender a ser forte e a falar com as pessoas, o que estava sofrendo. Mesmo que isso fosse doloroso.
- Eu...Estou paraplégico, Paula.
- Hã? Você não vai mais andar, é isso ? – Ela ficou sem reação, claro.
- É... – Luan olhou para o outro lado.
- Nossa ! Que...Pena.
- Não quero que sinta pena de mim. – Ele voltou a olhá-la. – Eu estou bem e vou voltar a andar, é só uma questão de tempo.
- Claro ! – Ela disse sem graça e eu sorri, era isso que esperava dele.
- Claro que vai voltar. – Eu disse.
- Você vai...Usar cadeira de rodas? – Ela o perguntou.
- Não! – Não entendi, mas não disse nada.
- Bom, tenho que ir. Espero que se recupere logo!
- Obrigado por ter vindo. – Ele disse.
- Eu gosto de você, é meu amigo. – Ela sorriu e eu fiquei com...Ciúmes? Pois é.
- Eu também. – Suspirei alto e eles perceberam. – O que foi?
- O que foi, o que?
- Que está bufando aí ? – Luan riu e eu o fuzilei com os olhos.
- Não está na hora de você comer, não, Luan ? Acho que está. Você já pode ir, Paula.
- Nossa, calma ! Já estou indo.
- O Luan tem que comer, querida.
- Eu sei e ele pode comer a vontade.
- Então nos dê licença. – Sorri forçado.
- Você é alguma coisa dele pra tá falando assim comigo?
- Sou muita coisa dele, estou aqui como acompanhante dele também. Será que você já pode se retirar?
- Você é uma grossa! Nunca fui com a sua cara.
- Que ótimo ! Porque eu também nunca fui com a sua. – Empurrei ela até a porta e nem deu tempo de se despedir do Luan. Fechei a porta bufando.
- Que nervoso é esse, muié ? Calma ! – Luan ria.
- Não estou nervosa, não queria me ver nervosa !
- Meu Deus ! Fiquei com medo agora. – Ele debochou, rindo mais alto.
- Dá pra rir baixo que isso aqui é um hospital ?
- Me desculpa ! É porque é bem engraçado você com ciúmes.
- Quem está com ciúmes?
- Você está !
- Não estou.
- Eu não vou discutir, sei que é verdade. Mas fica tranqüila que minha vida de pegador ainda não voltou e creio eu que vai demorar um pouco. – Fiz careta. – Ninguém vai querer um paraplégico, não é? – Ele tentou fazer piada com a situação, que foi muito sem graça por sinal.
- Eu vou querer ! – E mais uma vez o silêncio tomou conta daquele lugar.

( ... )

Luan estava de alta, depois de mais uma semana. As fãs estavam bem mais calmas. Eu tirava fotos dele e postava em seu instagram, para que se acalmassem, fazia isso todos os dias e estava adiantando bem.
Cheguei junto de Bruna e seu pai, para irmos para sua casa, teria uma festinha surpresa lá, assim que chegasse. Sua mãe estava arrumando sua mala, tinha dormido ali com ele.
- Tem certeza que você quer sair desse paraíso ? – Disse assim que cheguei e eles riram.
- Que engraçado, Sara. – Luan revirou os olhos.
Ele já estava trocado e com o papel dá alta com a assinatura do médico nas mãos. Uma enfermeira chegou com uma cadeira de rodas e logo saiu.
Rober chegou logo atrás e nos cumprimentou.
- Vamos, Luan ? – Ele tentou o ajudar e Luan se soltou dele.
- O que ? – Ele nos olhou e nós não estávamos entendendo nada. – Vocês acham mesmo que eu vou ir nesse trem pra casa ? – Ele riu de nervoso.
- Você tem que ir. Deixa o seu pai e o Rober te ajudarem ! – Eu disse e ele me encarou sério.
- Eu não vou me sentar nisso, eu não vou ! – Parecia criança de birra.
- Como vai sair daqui, então ? – Cruzei os braços lhe encarando.
- Eu não sei, só não saio daqui nisso ! Eu não vou e ninguém, escutaram ? Ninguém vai me fazer sentar nessa merda ! – Nos olhamos e suspiramos.

Capítulo 51


- Será que eu posso falar com essa pessoa sozinha ? – Olhei para todos, que assentiram.
- Tenta conversar com esse cabeça dura ! – Marizete disse, quando passou por mim.
Esperei que a porta se fechasse.
- Você está doido, Luan ?
- Vocês é que estão. Eu não vou sentar nisso, eu nunca precisei disso...
- Mas agora você precisa ! – Suspirei, quando vi seu olhar. – Me desculpa, eu sei que às vezes sou grossa, mas você precisa de um choque de realidade. Você está precisando dessa cadeira agora e é só ter fé, que logo vai sair dela. É pro seu bem, pra você poder se locomover. Quer ficar em cima de uma cama o tempo que precisar?
- É muito melhor ficar em cima de uma cama.
- Sua mãe tem razão, você é muito cabeça dura.
- Vocês falam isso porque não é com vocês...
- Mas eu já disse que é como se fosse e tenho certeza que pra sua mãe não é diferente. Agora para de manha, que eu vou chamar o seu pai e o Rober pra te colocarem na cadeira. – Me aproximei dele, que não disse nada e o abracei. – Isso é provisório e se você se conformar, vai ser mais fácil, eu tenho certeza !
- Eu nunca vou me conformar.
- Nem eu, mas não é pra sempre, só se conforme nesse momento. Você vai sair dessa e eu não me canso de dizer.
- Como tem tanta certeza?
- Eu tenho fé e isso basta !
- Tudo bem, eu vou na cadeira. – Sorri para ele. – Mas já vou dizendo que não vou andar nisso dentro de casa.
- E como vai se locomover? Sua mãe não vai te dar nada na mão porque eu não vou deixar... Seu bebezão! – Ele sorriu e aquilo foi um alívio pro meu coração, colocar um sorriso naquele rosto perfeito.
- Você nem vai estar lá, a minha mãe vai me dar tudo na mão sim!
- Quem disse que não ? Eu vou estar lá todos os dias e toda hora. – Ele riu. – Está duvidando? Eu vou ajudar sua mãe a cuidar de você.
- Não precisa fazer isso, sei que tem coisas mais importantes pra fazer. Tem seu apartamento novo, emprego pra arrumar ainda...
- Você é a coisa mais importante pra mim e que nesse momento precisa de toda a minha atenção e é isso que eu vou fazer. Meu apartamento já está tudo certo, só me mudar, que aliás, na semana que vem mesmo eu faço isso e o emprego, o meu pai disse que vai me ajudar até eu arrumar um.
- Eu que sou o bebê e você que é sustentada pelo papai?
- (risos) Idiota ! Não é pra sempre.
- Não é mesmo, quero que volte a trabalhar no escritório.
- O que ?
- É isso mesmo. Amanhã mesmo eu ligo pra Arleyde e comunico que você vai voltar.
- Obrigada demais, eu amo aquele lugar, mas... Será que vão me aceitar de volta? – Fiz careta.
- Mas é claro que vão e mesmo se não fossem, eu ainda sou o chefe, não sou ? Ainda sirvo pra isso?
- Você é um bobo, ainda serve pra tudo. – Ele riu e me puxou mais uma vez pra um abraço delicioso, que só ele sabia dar. – Agora vamos que têm surpresas pra você.
- Pra mim ? O que é ?
- (risos) Você já vai saber. – Saí dali deixando ele curioso.
Chamei Amarildo e Rober, que estavam sentados em uns bancos ali na frente mesmo.
Assustaram-se, quando eu disse que tinha convencido Luan a sentar na cadeira.
O tiraram da cama, enquanto ele fazia careta e Rober o zuava, por estar o pegando.
Fiz questão de empurrar sua cadeira até o carro, passamos pelo portão de saída de emergência, a imprensa, ainda continuava ali.
- Não sei como você convenceu esse orgulhoso, Sara, mas muito obrigada ! – Marizete, sorria simpática para mim.
- (risos ) Consegui, não é ? Nem eu sei como.
- Vocês são chatas ! – Luan fez careta e ganhou um tapa de sua mãe, nos fazendo rir.
Quando chegamos em frente ao condomínio, a primeira das surpresas já começou a aparecer. Muitas fãs estavam ali, com cartazes nas mãos e colados, com mensagens de força para ele. Nós já sabíamos de tudo.
Fãs de vários lugares do Brasil, com o rosto pintado, camisetas e cartazes, que fizeram Luan chorar. Eu nunca tinha o visto daquele jeito. Nós também não fomos diferente.
Fez questão de abrir o vidro do carro e elas, por incrível que pareça, não fizeram tumulto e nem gritaram, ficaram quietas e emocionadas também.
- Muito obrigada por tudo, minhas negas ! Vocês são muito importantes pra mim e com esse carinho todo, eu vou ficar bom logo. Eu preciso muito de vocês, obrigado mesmo ! – E assim elas começaram as perguntas.
Perguntaram tantas coisas e ele respondeu tudo. Que estava bem, que tinha fé que iria voltar a andar até elas, que não tinha acontecido nada com os outros meninos e mais um monte de coisas.
Depois de quarenta minutos, ele se despediu delas. Fiquei espantada quando ouvir muitos “obrigado por cuidar dele” e “cuida dele por nós, confiamos em você”.
Mais uma vez, Rober e Amarildo, tiraram Luan do carro e o colocaram na cadeira, em frente a sua casa, que estava em completo silêncio. Fui na frente e abri a porta, assim que ele entrou a gritaria começou. Todos de sua família estavam ali e seus amigos. Estavam todos e mais uma vez, Luan chorou feito criança.
A festa começou e por um momento, ele estava esquecendo que estava naquela cadeira,  era isso que eu queria.
- Foi você que teve a idéia ? – Ele perguntou. Eu estava na cozinha, em um certo momento, sozinha.
- Não...Bem, foi a Bruna. – Respondi sem jeito.
- (risos) Eu sei que ela te ajudou, mas foi sua a idéia. Muito obrigado, viu?
- Eu já disse que não aceito sua gratidão.
- Está bem, me desculpe então ! – Ele riu e eu o acompanhei.
- Vamos voltar então, não é? – Fui até ele e vi que tinha parado de sorrir.
Olhava em volta, parecia pensar. – O que foi?
- Como eu vou fazer pra ir pro meu quarto, que é lá em cima ? Vou depender do meu pai e do Rober pra tudo ? Como ele vai ficar aqui vinte e quatro horas, se meu pai não me agüenta sozinho ? – Ele dizia, triste.
- Você não vai depender de subir escadas.
- Como não ? – Virei sua cadeira e a empurrei.
Paramos em frente a uma porta, que ficava perto da cozinha. Por incrível que pareça, ele nunca tinha entrado ali dentro.
Abri a porta e não parecia, mas era um enorme quarto. Idêntico o quarto do Luan no andar de cima, todas as suas coisas estavam ali, tudo no mesmo lugar e do mesmo jeito.
- Nossa!
- Isso foi idéia da sua mãe, juro! – Ri e ele me acompanhou.
- Vocês são muito especiais, eu nem sei o que dizer.
- Não precisa dizer nada e nem agradecer. Tenha fé que vai sair dessa, assim como nós. Seja confiante e isso vai bastar, Luan.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Capítulo 49


( ... )

No final da semana, como o médico havia dito, eles transferiram o Luan para São Paulo.
Arleyde alugou um avião ambulância e ela mesmo foi lhe acompanhando lá.
Tinham muitos fotógrafos e repórteres na porta do hospital, estava bastante tumultuado. Fora às fãs, que choravam sem parar.
Tive que passar por ali também, já que tinha dois táxis nos esperando ali. Iria eu, Ana, Bruna e Rober em um e no outro, os pais do Luan e Well. Eles foram na frente e nós ficamos comendo algumas coisas na cantina, nos encontraríamos novamente no aeroporto. O vôo sairia em uma hora.
- O piloto e o Guto já estão ótimos, não é ? Vi eles indo no quarto do Luan. – Ana falava.
- Estão sim. O Luan quis ver eles ! – Bruna disse. – Vocês vão continuar brigados mesmo ? – Ela me olhou.
Ainda não estava falando direito com Luan, dês do dia em que “discutimos” na frente de todos.
- Quando o cabeça dura do seu irmão, esfriar a mente. – Revirei os olhos.
- Você também é cabeça dura. – Ela riu.
Fomos em direção à portaria e nos olhamos, quando vimos a muvuca que aquilo estava.
- Será que a gente passa ? – Perguntei.
- Temos que passar ! – Rober fez careta e foi andando na nossa frente.
Os jornalistas não deram muita importância para nós.
 Rober resolveu dar uma entrevista, para que desviassem a atenção de nós, que passávamos para ir para o táxi.
- Sara ? – Ouvi vozes me chamarem e me virei.
As fãs tinham nos visto e vieram correndo, estavam chorando sem parar, o que me cortava o coração.
- Oi ? – Respondi com receio.
- Ele está bem mesmo?
- Está sim...Ele está bem, podem confiar. – Pensei em dizer que não podia mais andar, mas lembrei que ele não queria. Não queria causar mais brigas com ele também.
- Fiquem tranqüilas, meninas. Graças a Deus o Luan está bem ! – Bruna disse.
- Estamos mais tranqüilas agora. Vamos avisar isso no twitter.
- A central vai avisar também, liguei para eles hoje e me disseram. – Eu disse e elas concordaram.
- Você gosta dele mesmo, não é ? Está aqui do lado dele e isso pra mim já é uma prova de amor. Não liga pra quem não gosta de você. Posso te falar a verdade?  - Uma delas, começou e eu me assustei, mas assenti para que continuasse. - Eu não gostava de você até... Agora. Mas estou vendo em seus olhos sua sinceridade, vá em frente e ajuda nosso ídolo. – Ela sorriu sem mostrar os dentes e eu fiz o mesmo, antes de largar a mala no chão e chamá-las para um abraço, que foi retribuído com a maior intensidade do mundo.
Nunca tinha sentido aquilo delas e se não iria desistir do Luan antes, agora que não desistiria mesmo.
Aquelas palavras ficaram em minha mente o caminho inteiro, me deu mais força.
Fui com Ana, para seu apartamento, apenas para guardar nossas coisas e já fui para o hospital que Luan ficaria. Tinha pegado o endereço com o Rober.
Ele estava aparentemente melhor, estava comendo melhor também. Sua mãe se levantou e chamou todos para irem para fora, com uma desculpa sem nexo, passou por mim e piscou. Queria que eu fizesse as pazes com seu filho.
- Me desculpa ? – Ele disse, assim que saíram.
- Pelo o que ? – Eu perguntei baixo.
- Por está te tratando assim, minha mãe me contou o quanto esteve preocupada comigo e sempre do meu lado.
- Eu sempre vou está do seu lado!
- Me desculpa mesmo, mas é tão difícil. Você não tem idéia ! – Ele segurava para as lágrimas não descerem. – Você não faz noção, não dá pra sentir as pernas. É...Angustiante.
- Eu te entendo sim, a sua dor estar em mim. Mesmo não acreditando.
- Eu acredito que está sofrendo tanto quanto eu. Me desculpa de novo. – Me abaixei e o abracei.
- Me perdoa também, eu não estou te compreendendo como deveria.
- O que ? É claro que está, eu que sou um bobo. Como você mesmo disse, todos estão do meu lado, eu tenho tudo e não tenho do que reclamar.
- Você vai sair dessa! – Sussurrei ainda o abraçando.
Depois disso, começamos a conversar normal de novo, eu tentava o animar. O pessoal voltou e ficaram felizes, quando viram que tínhamos feito as pazes.
- Não dá pra ficar bravo com uma pessoa tão linda assim, não é boi ? – Rober dizia, me abraçando de lado.
- Tira a mão, por favor ? – Luan disse, fazendo todos rirem.
Fui para o apartamento tomar um banho, comer e me trocar. Mas como sempre, voltei logo para o hospital e disse para que seus pais fossem para casa fazerem o mesmo.
- Podem ir, que eu fico aqui com ele. – Eu disse a eles, assim que cheguei.
Estavam no corredor.
- Depois voltamos, então. O Rober e a Arleyde também já foram. – Marizete disse e eu assenti.
- Também volto, amiga. – Bruna me abraçou.
- Podem ir tranqüilos !
- Sei que ele vai estar em boas mãos ! – Sorri com a frase de sua mãe e a abracei, antes deles irem.
Quando cheguei no quarto, Luan estava mexendo em seu celular.
- Aposto o que você quiser que está falando com as negas ! – Eu ri e ele me acompanhou.
- Acertou em cheio !
- O que eu ganho, então ? – Me aproximei com a sobrancelha erguida.
- Um beijo. Vem aqui ! – Me aproximei e ele beijou demorado o meu rosto.
Me sentei na pequena poltrona que tinha do lado da cama e depois de alguns segundos em silêncio, resolvi dizer o que estava pensando.
- Por que não conta pra elas?
- Contar o que ?
 - Que está... – Fiz uma pausa e ele me olhou. – Vai ser melhor saberem agora.
- Eu não tenho coragem.
- Tem sim, porque é forte. Conta, mas passa confiança, diz que está tudo bem !
- Eu não sei...
- Por favor, Luan. Seja forte ! Eles vão ter que saber.
- Não sei como vão reagir.
- Elas vão te apoiar, fica tranqüilo. Agora conta !
- Não quero que sintam pena de mim.
- Isso não vai acontecer. Você é um homem ou um rato?
- Um homem ? – Ele disse, me fazendo ri. Respirou fundo e digitou algumas coisas e depois parou para me olhar. – Vou fazer twitcam agora e contar tudo. – Sorri.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Capítulo 48



Voltei para sala de espera e não tinha ninguém lá. Fui até o corredor e perguntei a primeira enfermeira que passava, se havia visto duas moças bonitas, uma baixinha morena e uma loira alta. Ela apontou para um quarto, que tinham entrado. Agradeci e fui até lá.
- Com licença... – Entrei no quarto, onde a mãe de Bruna estava se recuperando.
- Como ele está, amiga? – Ela me perguntava.
- Não vou mentir, ele está se sentindo muito mal, mas também não é pra menos. – Eu suspirei. – Mas acho que consegui consolá-lo um pouco. Agora ele está dormindo e disse que quer a mãe lá com ele, quando acordar. – Olhei para Marizete, que ainda estava deitada.
- Estou melhor, vou pra lá sim. Obrigada por tudo, minha filha !
- Não tem de quê, podem contar comigo pra tudo.
- Eu não sei o que eu vou fazer, não sei como o Luan vai viver daqui pra frente. – Sua mãe desabafou ali.
- Nós vamos ajudar, as fãs também...Ele vai sair dessa, tenho fé!
- Eu também tenho, mas é complicado, entende ? Logo ele, que não para quieto, que gosta de andar, correr, pescar...
- Ele vai poder se movimentar e pescar sim. Nós vamos ajudá-lo e ele vai se acostumar.
- Não é a mesma coisa... – Ela insistia.
- Mas temos que ser fortes, pra passar essa força pra ele.
- Isso mesmo, pai ! – Bruna concordava com seu pai e eu também.
Logo Rober e Arleyde chegaram, conversaram um pouco conosco e a reação dos dois, não foi diferente da de ninguém. Ficaram paralisados com a noticia que Luan não poderia mais andar.
- Fique despreocupada, Marizete. Nós vamos fazer de tudo para ele voltar a andar. Vamos nos melhores médicos.
Fui comer alguma coisa na cantina do hospital, com as meninas, com muita insistência do pai e da mãe do Luan.
Depois mais uma vez minha amiga insistiu para que eu fosse para o hotel. Mas dessa vez me convenceu com a desculpa, de que Luan precisava ficar um pouco a sós com a mãe.
Ele já tinha acordado novamente, quando saímos de lá.
Tomei um banho correndo, lavei e penteei meus cabelos.
- Mas eu nem tenho roupa. – Resmunguei.
- Claro que tem, sua amiga aqui lembra de tudo e trouxe uma mala pra você. – Ana sorriu.
- Ainda bem que eu te tenho, não é ? O que seria de mim sem você?
- Nada ! – Ela riu e nós nos abraçamos.
Me troquei rápido e apressei Ana, que também se trocava.
Voltamos para o hospital e todos estavam no quarto do Luan, o hospital tinha liberado.
Assim que entrei, o médico entrou logo atrás, não deu nem tempo de falar com ninguém.
- Vejo que já está tudo bem com o rapaz. No final da semana mesmo, providenciaremos sua transferência para São Paulo. – Ele dizia
O examinou rápido, mais uma vez e logo saiu.
- As dores estão melhorando ? – Eu o perguntei.
- Um pouco. Mas essa faixa na cabeça me incomoda. – Ele fez careta e nós rimos.
- Está lindo assim, maninho. – Bruna dizia.
- Eu sei, Bruna. Sempre estou de qualquer jeito !
- Já está ótimo então, já está falando assim ! – Rober entrou no quarto nos assustando, junto de Well logo atrás dele.
- Você por aqui, boi ? – Luan sorriu.
- Vim te ver, ué. Quando for pra São Paulo o escritório todo ta combinando de ir lá na sua casa, fazer um churrasco.
- Sabia ! – Ele disse e nós rimos.
Conversamos e procuramos o distrair o máximo possível, tirando qualquer idéia ruim de sua cabeça.
- E você tá bem, Cirilo ? – Luan falava, para seu segurança.
- Depois de um ano você pergunta, Luan ? – Rober fez graça mais uma vez, enquanto Luan revirava os olhos.
- Estou ótimo e pronto pra outra ! – Ele respondeu sua pergunta.
- Pronto pra outra não, cara. – Rimos mais uma vez de sua cara.  Well, contou também que o piloto do avião e Guto já estavam recuperados e  quase de alta. Luan estava preocupado com eles também. – Eu acho que eu que fiquei pior, não é? – Ficamos em silêncio.
- Você podia parar de falar isso, não acha ? – Acredito que eu disse tudo , que eles queriam lhe dizer mais não tinham coragem. – Não se faz de coitado, por que não é. – Ri no final e eles me acompanharam.
- Não estou me fazendo de coitado...Não estou mentindo, estou?
- Está, porque poderia ter morrido e está ai reclamando.
- Eu não vou poder mais andar. Andar, entendeu ? E não posso reclamar?
- Não pode, não pode porque todos estamos aqui com você. Seus fãs também vão estar do seu lado, você tem tudo e não pode reclamar.
- Não vou ter mais as minhas pernas, Sara. – Ele disse sério e aquela nossa “pequena discussão” estava ficando séria.
- Você vai ter elas sim e logo vai voltar a usá-las. É só parar de pensar isso...
- Você fala isso, porque não é com você. Não é a sua vida ! – Ele estava irritado.
Ninguém ousava se intrometer.
- Não sou eu, mas é quase, é metade de mim e ...Quem disse que não é a minha vida ? Você é minha vida !
Depois disso o clima ficou tenso ali dentro, nós ficamos nos encarando e o silêncio reinou.
Suspirei e olhei pra cima, antes de sair dali. Ouvi passos apressados atrás de mim, quando estava no corredor.
- Tenha calma com ele, Sara. É difícil, ele anda desde bebê. – Ana dizia.
Parei de andar para olhá-la.
- Eu tenho calma com ele, eu vou ter paciência. Eu sei que é muito difícil e você pode ter certeza que eu estou sentindo a mesma dor que ele.
- Eu acredito !
- Mas ele tem todo mundo e nós vamos ajudá-los, ele tem que colocar na cabeça que estamos aqui por ele.
- Mesmo assim é difícil, ainda mais uma pessoa independente e orgulhosa.
- Isso que me preocupa...
- O que?
- O orgulho dele. O Luan é muito orgulhoso e vai ser muito difícil domar a fera. – Suspirei.
- Mas você consegue ! – Ela sorriu sem mostrar os dentes e me abraçou.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Capítulo 47


- E ai, doutor ? – Todos estavam apreensivos com sua resposta.
- Eu já disse ontem, os exames já saíram e eu estou com os resultados aqui.
Infelizmente as minhas suspeitas se confirmaram e o Luan Santana...
- O que ele tem ? – Eu sussurrei.
Sua mãe estava tão apreensiva com a resposta do médico, quanto eu.
- Ele está paraplégico ! – Eu paralisei no lugar que estava, nem meu olho piscava.
Ana ficou ao meu lado também nem se mexeu, o mesmo aconteceu com Bruna e seu pai, que logo teve que sair do lugar quando viu sua mulher desmoronar ali e a segurou antes que caísse no chão.
O médico se assustou e chamou rápido os enfermeiros, que a colocaram em uma maca e a levaram para um quarto. Amarildo a acompanhou e nós continuamos ali, não crendo em nada.
- Então...É isso. Ele acordou e já está sabendo do acontecido.
- Posso vê-lo ? – Eu disse com dificuldade.
- Não sei se é uma boa idéia. Ele está agitado porque ouviu a enfermeira me perguntando se as minhas suspeitas de paraplegia estavam confirmadas, não vimos que já estava acordado.
Acho que o sedativo que aplicamos novamente, já está fazendo efeito.
- Não ! Deixa ela ir ver ele, vai se acalmar... – Bruna disse.
Ele nos olhou um pouco.
- Tudo bem, pode vir comigo. Depois se ele se acalmar, ainda hoje eu libero a visita de todos que estão aqui.
- Tudo bem ! O senhor sabe o quarto que levaram a minha mãe?
- Sei sim, vou passar por lá. Mas tenho certeza que só foi um desmaio emocional, pelo susto, ou queda de pressão.
- Posso ir até lá ?
- Pode sim ! É o número cinco, o primeiro do corredor à esquerda. – Ela concordou e ele saiu.
Fiz sinal para Ana me esperar e ela assentiu, fui andando em passos largos atrás do médico.
- Não deixe ele mais nervoso, por favor !
- Pode deixar ! – Eu disse, antes de respirar fundo e criar coragem para entrar naquele quarto.
Entrei devagar e vi que Luan ainda estava acordado, os medicamentos ainda não tinham feito efeito. Ele olhava para o teto e parecia pensar, no mundo da lua.
Me aproximei devagar e só quando estava colada em sua cama, que percebeu minha presença e virou sua cabeça para me olhar.
- Sara? – Ele dizia baixo.
- Você está bem ? – Sorri.
- Não!
- Está sentindo alguma coisa? O que tem ? – Eu me assustei.
- Estou com dores pelo corpo todo, cheio de hematomas, não sinto as minhas pernas e pelo que ouvi aqui...Estou paraplégico. Como queria que eu estivesse bem? – Me assustei novamente com suas palavras. Ele estava sendo tão grosso só por uma pergunta inocente, estava preocupada com ele. Mas eu entendia seu lado, claro. Ele estava se revoltando.
- É...Mas o importante é que está aqui e vivo ! – Eu disse sem jeito e ele continuou me encarando.
- Do que adianta estar aqui e vivo, se não vou poder mais andar, não vou poder mais correr até meus fãs, abraçar de pé minha família  e fazer meus shows. – As lágrimas começaram a brotar de seus olhos e sua voz começou a falhar.
Não me segurei e também deixei as minhas escaparem.
 Me aproximei dele e o abracei forte.
Ele chorou mais, feito criança, até soluçar.
- Vai ficar tudo bem... – Eu sussurrava. – Vai ser difícil no começo, mas você vai voltar a andar.
- Eu não tenho certeza mais de nada. O que eu fiz pra merecer isso? – Sua voz saia abafada em meu ombro.
- Eu vou estar com você sempre...Você vai sair dessa, Luan. Seus fãs também vão te ajudar. – Me soltei dele devagar e limpei primeiros suas lágrimas, logo depois passei os dedos pelo meu rosto e sorri, em uma tentativa de lhe passar força.
- Bem que você disse...Estava tendo um pressentimento. – Ele disse depois de alguns segundos em silêncio, parecia mais calmo.
- È...Eu estava sentindo coisas estranhas mesmo. Eu podia ter evitado isso...
- Claro que não ! Como você iria me impedir ?
- Esqueci o quanto você é teimoso ! – Ri fraco. – Mas eu já disse, você vai sair dessa. Ta todo mundo do seu lado, sua família e seus fãs, nossa! Vão te mimar mas do que já é. – Sorri sem mostrar os dentes e ele fez o mesmo. – E se quiser...Eu também estou aqui. – Fiz charme.
- Claro que eu quero, sua boba.
- Quer mesmo ? – Continuei a brincadeira.
- (risos) Claro que sim ! – Ele esticou os braços e mais uma vez, me abaixei para abraçá-lo. – Eu quero você comigo sempre de agora em diante. Tenho certeza que vai ser uma ótima amiga e vai me ajudar demais.
- Eu vou te ajudar em tudo que quiser. Tenha fé, que tudo vai dar certo. Eu te amo ! – Ele não respondeu mais nada, mas apertou seus braços que estavam em minha volta.
Queria ele do mesmo jeito, andando ou não, mas mesmo sem perceber fiquei um pouco magoada, por ele querer uma “amiga”, mas não era hora daquilo.
Ele estava em um hospital, se recuperando de um acidente gravíssimo de avião e poderia ter até morrido. Suspirei e nos afastamos.
Ele me pediu para avisar as fãs que estava tudo bem e foi isso que eu fiz. Tirei o celular na mesma hora e postei em meu twitter. Depois dei o celular para que ele entrasse no seu, as meninas poderiam não acreditar em mim.
Ele começou a ficar com sono, deveria ser os medicamentos fazendo efeito. Perguntou por sua mãe e eu disse que ela não estava muito bem, por conta da notícia. Ele se calou, me olhou com os olhos ainda mais tristes e suspirou.
Beijei sua testa, assim que bocejou pela terceira vez e fui em direção à porta.
- Só mais uma coisa, Sara... – Ele me chamou.
- O que foi? – Me virei.
- Não quero que conte para as minhas fãs que estou paraplégico.
- Hã?
- É isso mesmo, não quero que elas saibam que eu nunca mais vou andar e nem fazer show.
- Eu já disse pra não falar isso. Você vai voltar a andar sim e vai voltar a fazer seus shows. – O repreendi. – Mas se você quer assim, não vou contar nada. Quando estiver preparado, fale com elas.
- Não sei se um dia vou estar preparado.
- Vai sim, porque é forte.
- Estou duvidando disso também.
- Luan ! Para com isso ! – Ele suspirou, era o que mais andava fazendo.
- Obrigado por tudo !
- Eu faço o que posso pra proteger, ficar perto e fazer o bem a quem eu amo. – Ele sorriu sem mostrar os dentes, antes de seus olhos fecharem.
- Quero ver minha mãe quando acordar. – Sua voz quase não saia e seus olhos, permaneciam fechados.
- Ela vai está aqui, agora dorme ! – Falei baixo também e foi isso que ele fez.